Dispensação de medicamentos via tubo pneumático
A utilização do tubo pneumático para transporte de medicamentos tem se mostrado conveniente, eficiente e custo-efetivo. No entanto, este tipo de transporte não é adequado para todos os medicamentos (UAMS, 2009; PEAK, 2002, 2003).
O envio de medicamentos via tubo pneumático deve seguir diretrizes definidas institucionalmente. Os critérios utilizados para envio de medicamentos através deste equipamento devem garantir a segurança e manutenção das características físico-químicas do medicamento durante o transporte, visto ser este um dispositivo que submete os medicamentos à pressão elevada e agitação (GONZÁLEZ et al, 2007).
Há duas abordagens para definição das políticas de envio de medicamentos via tubo pneumático:
- Definições baseadas na estrutura físico-química do medicamento e risco de contaminação do sistema de transporte. Para os medicamentos incluídos nesta definição, existe contra-indicação absoluta e/ou recomendação definitiva em relação ao transporte através de tubo pneumático;
- Definições Institucionais baseadas no risco do envio do medicamento segundo classe terapêutica, custo ou possibilidade de quebra/ extravio. Neste contexto, cada Instituição deve determinar as políticas que serão utilizadas. Existem na literatura relatos que corroboram a não utilização do tubo pneumático para o transporte destes medicamentos.
1.0 Medicamentos que NÃO devem ser enviados pelo tubo pneumático
1.1 Medicamentos citostáticos e químicos perigosos:
Em caso de quebra acidental pode haver contaminação do circuito do tubo pneumático, o que contra-indica o envio de qualquer medicamento citostático (oral ou injetável) através deste equipamento (GINÉS, 2002; GONZALEZ et al, 2007; UAMS, 2009).
1.2 Medicamentos refrigerados:
O transporte através do tubo pneumático não garante a manutenção da temperatura necessária para distribuição de medicamentos termolábeis (2 a 8°C) (GONZALEZ et al, 2007). Este critério abrange os medicamentos injetáveis que após a manipulação somente tem estabilidade garantida sob refrigeração.
1.3 Medicamentos que podem sofrer alteração do princípio ativo ou excipientes por desnaturação de proteínas ou quebra de emulsões:
Alguns medicamentos têm características físico-químicas que devem ser preservadas para garantia de sua eficácia terapêutica. Submeter estes medicamentos a estresse físico, químico ou térmico pode levar a desnaturação de proteínas e agregação, que pode resultar em perda parcial ou completa da atividade do medicamento (GONZALEZ et al, 2007; WALKER, 2009).
Especificamente para insulinas, a agitação implicada pelo tubo pneumático causa agregação do produto e diminuição da potência do medicamento. Recomenda-se não enviar insulinas via tubo pneumático por mais de uma vez (WALKER, 2009).
O quadro 1 mostra alguns dos medicamentos que reconhecidamente não podem ser enviados via tubo pneumático por estarem sujeitos a alterações físico-químicas que comprometem sua atividade terapêutica (BAYLOR UNIVERSITY MEDICAL CENTER, 2004; PEAK, 2002, 2003; UAMS, 2009). Para estes medicamentos, o tubo não deve ser utilizado tanto para transporte dos frascos intactos quanto das soluções já preparadas.
Quadro 1: Medicamentos que não podem ser enviados através de tubo pneumático

2. Medicamentos que devem ser considerados na definição Institucional de transporte de medicamentos via tubo pneumático
2.1 Medicamentos com apresentação comercial em frascos de vidro
Não há contra-indicação absoluta em relação ao envio de medicamentos disponíveis em frascos de vidro, mas deve-se considerar o risco de quebra acidental durante o transporte. No caso de envio deste tipo de medicamento através do tubo pneumático, deve-se estabelecer procedimentos que garantam a segurança dos colaboradores que manuseiam o equipamento (GONZALEZ et al, 2007; PEAK, 2002; UAMS, 2009).
2.2 Misturas intravenosas
Gonzalez e colaboradores (2007) não recomendam o envio de misturas intravenosas preparadas com soro fisiológico através de tubo pneumático. O Centro médico da Universidade de Baylor (Dallas, Texas) cita em seu protocolo que os medicamentos injetáveis manipulados não devem ser enviados através de tubo pneumático (BAYLOR UNIVERSITY MEDICAL CENTER, 2004).
Há relatos de utilização do tubo pneumático para transporte de soluções intravenosas, desde que estas não sofram alteração quando submetidas à agitação (DURGIN, HANAN, 2005; MGH, 2005).
2.3 Medicamentos de controle especial (psicotrópicos, medicamentos de pesquisa clínica)
Atualmente, as cápsulas utilizadas para envio no tubo pneumático possuem tecnologia RFIP, permitindo a rastreabilidade e envio de medicamentos de controle especial.
2.4 Medicamentos de uso intravenoso com volume superior a 1 litro e frascos de vidro com volume superior a 100mL
Há risco de rompimento da embalagem e contaminação do sistema de transporte (BAYLOR UNIVERSITY MEDICAL CENTER, 2004; MGH, 2005; UNIVERSITY OF KENTUCKY HOSPITAL, 2009).
2.5 Medicamentos de alto custo e medicamentos de difícil aquisição
Há risco de extravio do medicamento se houver erro durante o envio. Deve-se avaliar o impacto Institucional relacionado ao extravio destes medicamentos (BAYLOR UNIVERSITY MEDICAL CENTER, 2004; GONZALEZ et al, 2007; UAMS, 2009).
2.6 Medicamentos dispensados em seringas acopladas com agulha
Deve-se avaliar o risco de desacoplamento da seringa, vazamento do medicamento e risco ocupacional para quem manuseia o equipamento. A proposta para transporte seguro destes medicamentos pode englobar a dispensação da seringa bloqueada com tampa vedante e agulha em separado.
2.7 Medicamentos a serem administrados por via peridural
O Instituto para Práticas Seguras do uso de Medicamentos (ISMP) recomenda que os medicamentos a serem administrados por via peridural não sejam enviados através de tubo pneumático devido ao histórico mundial de eventos fatais envolvendo a administração endovenosa de medicamentos que deveriam ser administrados por via peridural. Recomenda-se que medicamentos a serem administrados por via peridural ou intratecal devem ser entregues diretamente ao profissional responsável por sua administração (ISMP, 2008).
3.0 Considerações Finais
Poucos são os estudos que abordam especificamente o transporte de medicamentos através de tubo pneumático. As indústrias farmacêuticas e fabricantes destes equipamentos oferecem estudos limitados sobre a segurança de envio de medicamentos, e raramente citam qual o impacto oferecido para cada princípio ativo. Este contexto traz a necessidade de elaboração da política Institucional de envio de medicamentos através de tubo pneumático com elaboração da lista de medicamentos que não devem ser enviados por este equipamento.
4.0 Lista de medicamentos proibidos para envio via tubo pneumático no HSL
Considerando a literatura citada, segue a lista de medicamentos proibidos para envio via tubo pneumático no HSL:
Lista atualizada - Medicamentos proibidos para envio no tubo pneumático - out.21.pdf
Referências:
BAYLOR UNIVERSITY MEDICAL CENTER. Committee on Pharmacy and Therapeutics Guidelines for Medication Delivery via Pneumatic Tube System. Disponível em http://rherman.idis.uiowa.edu/CAMIPR/Discussions/Pneumatic%20Tube%20Guidelines.pdf Acesso em 4 de abril de 2012.
DURGIN, J.M.; HANAN, Z.I. Drug use Controle: The Foundation of Pharmaceutical Care. In: Pharmacy Practice for Technicians. Thomson: New York. 3 ed, 2005.
GINÉS, J. Manual de Recomendaciones para la Manipulacion de Medicamentos Citostaticos. Hospital Universitrio Son Dureta. 2002, 8p.
GONZALEZ, A.M. et al. Dispensación de medicamentos por tubo neumático. Farmacia Hospitalaria, v. 31, n. 5, p. 315-324, 2007.
INSTITUTE OF SAFE MEDICATION PRACTICE. Epidural – IV routes mix-ups: Reducing the risk of deadly errors. Publicado em 3 de julho de 2008. Disponível em http://www.ismp.org/newsletters/acutecare/articles/Catheter-Misconnections.asp. Acesso em 4 de abril de 2012.
MASSACHUSETTS GENERAL HOSPITAL (MGH). Pneumatic Tube System Guidelines. 2005. Disponível em http://mghlabtest.partners.org/Pneumatic% 20Tube%20System %20Guidelines%20Final%201-14-05.pdf. Acesso em 4 de abril de 2012.
PEAK, A. Delivering medications via pneumatic tube system. Am. J. Health-Syst. Pharm, v. 59, n.15, 2002.
PEAK, A. Delivering medications via pneumatic tube system. Hospital Pharmacy, v. 38, n. 3, p. 287-290, 2003.
University of Arkansas for Medical Sciences (UAMS). Department of Pharmacy Policies & Procedures. Pneumatic Tube Drug Delivery. Setembro de 2009 Disponível em http://pharmacy.uams.edu/PNP/policy%20509.htm. Acesso em 29 de março de 2012.
UNIVERSITY OF KENTUCKY HOSPITAL. Department of Pharmacy Policy. Pneumatic Tube Drug Delivery. Disponível em http:// www.hosp.uky.edu/ pharmacy/departpolicy/PH04-02.pdf. Acesso em 4 de abril de 2012.
WALKER, J.H. Can Insulin Be Delivered via Pneumatic Tube Systems? Medscape Pharmacists. Publicado em 27 de maio de 2009. Disponível em http://www.medscape.com/ viewarticle/ 703168?src=mp &spon=30. Acesso em 27 de março de 2012.
Atualizado em: 2020