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Monitoramento ativo

O Hospital Sírio Libanês utiliza diferentes estratégias para identificar e notificar reações adversas a medicamentos, como monitoramento de novos medicamentos e uso de gatilhos.

Novas móleculas/ marcas

Medicamentos com menos de 5 anos no mercado, com alertas de segurança, uso Off label ou com necessidade de analise do uso e segurança são passiveis de monitoramento ativo pela equipe de farmacia clínica.  

Para  cada medicamento é elaborada uma ficha técnica com os paramentros de monitoramento. As informações sobre posologia, ajuste de dose, estabilidade e outras informações você encontra na ficha técnica do Guia Farmacêutico. 

Seguem os medicamentos em monitoramento ativo atualmente e suas respectivas fichas de monitoramento:

  1. Trudelvy: 
  2. Spravato:
  3. Xilfya:
  4. Hyrimoz:
  5. Neolastim OBI:
  6. Monuril:

Gatilho

Os gatilhos podem ser medicamentos utilizados para tratar toxicidades (antídotos), alterações em exames ou diagnósticos. A metodologia Gatilho (trigger tool) é uma maneira de buscar retrospectivamente reações ou eventos adversos relacionados a medicamentos. Dessa forma, os medicamentos classificados como gatilho podem indicar ou favorecer a identificação de RAM.  Estes gatilhos podem ser utilizados como alertas ou gerenciados pela equipe de farmácia.


Gatilhos relacionados ao tratamento 

Uso de 5 medicamentos ou mais  
Apresentam alta incidência de eventos adversos a medicamentos pacientes com polifarmácia. Procure interações medicamentosas, particularmente sedação excessiva ou medicação excessiva, e desenvolvimento de toxicidade.
Parada abrupta de medicação 
 
Procure interações medicamentosas, particularmente sedação excessiva ou medicação excessiva, e desenvolvimento de toxicidade. 
Resultado positivo para Clostridium difficile em fezes 
 
Uma pesquisa positiva para C. difficile é um evento adverso se houver histórico de uso de antibióticos. 
Mudança repentina no tratamento ou no plano de cuidados 
 
Procure uma mudança abrupta de um provedor de nível médio para um médico ou referência fora da rede. Houve uma mudança abrupta no médico responsável? Qual pode ser esse motivo? Procure por eventos adversos. 
 
Tempo de tromboplastina parcial ativado (aPTT/PTTa) maior que 100 segundos 
Níveis elevados de aPTT/PTTa ocorrem quando os pacientes estão em uso de heparina. Procure por evidências de hemorragia para determinar se um evento adverso ocorreu. O aPTT/PTTa elevado em si não é um evento adverso — devem haver manifestações como sangramento, hematomas ou queda de Hg ou Hct. 
INR maior que 6 
Procure por evidências de sangramento para determinar se um evento adverso ocorreu. Um INR/RNI elevado em si não é um evento adverso — devem haver manifestações como sangramento, hematomas ou queda de Hg ou Hct. 
Glicemia menor que 50 mg/dL 
Procure por sintomas como letargia e tremores documentados em anotações da enfermagem e pela administração de glicose, sumo/suco de laranja ou outra intervenção. Se houver sintomas, procure pelo uso associado de insulina ou hipoglicemiantes orais. Se o paciente não apresentar sintomas, não há nenhum evento adverso. 
Elevação de ureia ou creatinina sérica para valor duas vezes superior ao basal 
Faça a revisão dos dados laboratoriais buscando por níveis crescentes de ureia ou creatinina sérica. Se uma elevação superior a duas vezes o valor basal for encontrada, reveja as notas de administração de medicamentos para identificar aqueles que podem causar toxicidade renal. Analise as notas de evolução do médico, a história e o exame físico para outras causas de insuficiência renal, como doença renal pré-existente ou diabetes, que poderiam colocar o paciente em maior risco de insuficiência renal; isso não seria um evento adverso, mas sim a progressão da doença. 
 
Administração de anti-histamínico 
 
A difenidramina e dexclorferinamina são exemplos de anti-histamínicos frequentemente utilizados para reações alérgicas a medicamentos, mas também podem ser prescritos como indutores de sono, no pré-operatório/pré-procedimento ou para alergias sazonais. Se o medicamento tiver sido administrado, reveja o processo/prontuário clínico para determinar se ele foi solicitado para sintomas de uma reação alérgica a um medicamento ou a uma transfusão de sangue administrados durante a hospitalização ou antes da admissão — esses seriam eventos adversos. 
Administração de antieméticos 
 
Náuseas e vômitos comumente são o resultado da administração de medicamentos em ambientes cirúrgicos e não cirúrgicos. Antieméticos são comumente administrados. Náuseas e vômitos que interferem na alimentação, recuperação pós-operatória ou atrasam a alta sugerem um evento adverso. Um ou dois episódios tratados com sucesso com antieméticos não sugerem nenhum evento adverso. O julgamento do revisor é necessário para determinar se o dano ocorreu. 
Hipotensão/sedação excessiva 
 
Faça a revisão das evoluções médicas e de enfermagem ou as anotações multidisciplinares para obter evidências de sedação excessiva e letargia. Reveja notas de sinais vitais para episódios de hipotensão relacionados a administração de um sedativo, analgésico ou relaxante muscular. A overdose intencional não é considerada um evento adverso. 
 
Suspensão abrupta de medicamentos 
 
Embora a descontinuação de medicamentos seja um achado comum no processo/prontuário clínico, parar abruptamente os medicamentos é um gatilho que requer investigação adicional para avaliação da causa. Uma mudança súbita na condição do paciente que requer ajuste de medicamentos está frequentemente relacionada com a ocorrência de um evento adverso. “Abrupto” é melhor descrito como uma suspensão inesperada ou desvio da prática usual de prescrição; por exemplo, a descontinuação de um antibiótico intravenoso associada à mudança para a sua forma oral não é inesperada. 
Readmissão no serviço de urgência/pronto atendimento nas 48 horas após a alta 
Procure por reações a medicamentos, infecções ou outras razões pelas quais os eventos podem ter trazido o paciente de volta ao serviço de urgência/pronto atendimento e, em seguida, requerido hospitalização.
Tempo de permanência no serviço de urgência/pronto atendimento superior a 6 horas 
Longa permanência no serviço de urgência/pronto atendimento, em alguns casos, pode representar falhas no cuidado ideal. Procure complicações como quedas, hipotensão ou complicações relacionadas a procedimentos. 

 Gatilhos antídotos  

​Antídoto
Agente tóxico​
Acetilcisteina 
Paracetamol 
Biperideno 
Neurolépticos (fenotiazinas, haloperidol) e metoclopramida. 
Complexo Protrombínico 
Anticoagulantes 
Deferoxamina 
Suplementação de Ferro 
Dexrazoxane 
Antraciclinas 
Flumazenil 
Benzodiazepínicos 
Folinato de cálcio 
Metotrexato e outros antagonistas do ácido fólico 
Glucagon 
Insulina 
Hipossulfito de Sódio 
Cianeto (Nitroprussiato)  
Idarucizumabe 
 
Emulsão lipídica 
Antidepressivos tricíclicos, betabloqueadores lipofílicos e bloqueadores de canais de cálcio. 
Mesna 
Ifosfamida e ciclofosfamida 
Naloxona 
Opióides e ácido valpróico (não específico) 
Neostigmina 
Bloqueadores neuromusculares não despolarizantes 
Octreotide 
Hipoglicemiantes 
Protamina 
Heparina 
Vitamina K 
Varfarina 


GATILHOS: MONITORIZAÇÃO TERAPÊUTICA 


Amicacina 
Pico 15 a 30mcg/m|L 
Vale <10mcg/mL  
Gentamicina  
Pico 4 a 10 mcg/mL 
Vale < 2 mcg/mL 
Tobramicina 
Pico 4 a 10 mcg/mL 
Vale < 2 mcg/mL 
Vancomicina 
Vale 10 a 20 mcg/mL 
Digoxina 
0,5 a 2 mcg/L 
Lidocaína 
1,5 a 5 mcg/mL 
Ciclosporina 
C2 800 a 2000 ng/mL 
Vale 200 a 800 ng/mL 
Tacrolimus 
3 a 15 ng/mL 
Metotrexate 
24h após término da infusão < 1 μmol/L 
48h < 0,1 μmol/L 
Carbamazepina 
4 a 12 mg/L 
Fenitoína 
10 a 20 mg/L 
Fenobarbital  
15 a 40 mg/L 
Valproato 
50 a 100 mg/L 
Lítio 
0,3 a 1,3 mmol/L 
Teofilina  
10 a 20 mg/L 


GATILHOS: MONITORIZAÇÃO LABORATORIAL 

Alterações de: 
Relacionado a intoxicação por: 
Perfil renal 
Anti-inflamatórios, antibióticos, contraste, quimioterapia e imunossupressores.  
Perfil hepática  
Antibióticos, anticonvulsivantes, antidepressivos, antifúngicos, antirretrovirais, anti-hipertensivos, antipsicóticos, cardiotônicos, antiagregantes, hormônios, estatinas e paracetamol. 
Perfil hematológico  
Antineoplásicos, antibióticos, antivirais, antipsicóticos, anticonvulsivantes, heparina, dipirona, metildopa,  
Perfil lipídico  
Betabloqueadores, antipsicóticos, corticosteróides, isotretinoína, inibidores de protease, ciclosporinas, diuréticos, anticoncepcionais, estrógenos e progestágenos 
Perfil eletrolítico 
Hipocalemia: Agonistas beta-adrenérgicos, Catecolaminas, Insulina, Diuréticos de alça e tiazídicos, Teofilina, Aminoglicosídeos, Anfotericina B, Mineralocorticóide 
Hipercalemia: Anti-inflamatórios não esteroides, Diuréticos poupadores de K+, Succinilcolina, Digoxina, Inibidores da enzima conversora de angiotensina, Bloqueadores do receptor angiotensina, Betabloqueadores 
Hipomagnesemia: Diuréticos tiazídicos e de alça, Aminoglicosídeos, Anfotericina B, Cisplatina, Ciclosporina, Digoxina, Manitol, Metotrexate 
Hipermagnesemia: Laxativos que contêm magnésio, Lítio 
Perfil tireóideo  
Iodo, Radiação, Amiodarona, Alfa-Interferon, lítio, Interleucina-2, antineoplasicos, glicocorticoides, hormônios, dopamina, bromoccriptina, salicilatos, propranolol e heparina. 
Perfil muscular  
Estatinas 


GATILHOS: MONITORIZAÇÃO CLÍNICA 



Temperatura  
Hipertermia 
  • Atividade metabólica aumentada (salicilatos, dinitrofenol, cocaína e anfetaminas); 
  • Redução da sudorese (anticolinérgicos (p. ex., antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos, várias plantas e alguns cogumelos); 
  • Aumento da atividade ou esforço muscular,  
  • Síndrome neuroléptica maligna; 
  • Hipertermia maligna; 
  • Síndrome serotoninérgica  
 Hipotermia: 
  • Alterações na circulação (provocada por medicamentos como beta-bloqueadores, clonidina, meperidina, neurolépticos e agentes anestésicos gerais) 
Frequência respiratória  
Dispneia: penicilina, anticoagulantes, haloperidol, hidralazina, anfotericina B, sulfonamidas, ácido acetilsalicílico, bleomicina, epinefrina, fibrinolíticos, hidroclorotiazida, metotrexato, nitrofurantoína, protamina, antidepressivos tricíclicos, bussulfano, clorambucil, ciclofosfamida, melfalano, amiodarona, etoposídeo, vinblastina, sulfassalazina, metadona, isoniazida, procainamida, fenitoína, ampicilina, carbamazepina, captopril, clorpromazina, clofibrato, dapsona, metronidazol, naproxeno, pentamidina, propranolol, tamoxifeno, tetraciclina, mitomicina, zinostatina, biscloroetil, nitrosoureia 
Pressão arterial  
Hipertensão, hipotensão 
Convulsões 
Antidepressivos tricíclicos, bupropiona, cocaína e estimulantes relacionados, anti-histamínicos e isoniazida 
Pele e anexos 
Farmacodermias , rash cutâneo 
Cabeça e pescoço  
Mucosite, sangramentos,  
Tórax e Abdômen  
Dor no peito, difícil de respirar, peritonite 
Genitália 
Vaginite, prurido 
Musculoesquelético 
Dor muscular (mialgia) 
Evacuação, urina e diurese 
Diarreia, constipação, aumento da frequência urinária 


GATILHOS: MONITORIZAÇÃO CARDÍACA  



Taquicardia sinusal 
Fármacos anticolinérgicos (p. ex., atropina, difenidramina, antidepressivos tricíclicos); cafeína; cocaína e anfetaminas; depleção de volume 
Bradicardia ou bloqueio AV 
Beta-bloqueadores; antagonistas de cálcio; digitálicos; antidepressivos tricíclicos; fármacos antiarrítmicos das classes IA e IC; inseticidas organofosforados e carbamatos; fenilpropanolamina (hipertensão com bradicardia reflexa) 
Alongamento do complexo QRS 
Antidepressivos tricíclicos; antiarrítmicos das classes IA e IC; difenidramina, tioridazina; cocaína; propoxifeno; hiperpotassemia; hipotermia (onda-J; Figura 2) 
Taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular 
Cocaína e anfetaminas; cafeína e teofilina; queimaduras por fluoretos ou ácido hidrofluórico (hipocalcemia); digitálicos; tricloroetano e numerosos outros clorados, fluorados e solventes aromáticos; hidrato de cloral; fármacos que causam o prolongamento do intervalo QT (p. ex., quinidina e sotalol) 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 


  1. Griffin F.A., Resar R.K. IHI Global Trigger Tool for Measuring Adverse Events (Second Edition) IHI Innovation Series white paper. Cambridge, MA: Institute for Healthcare Improvement. 2009. Available in:: http://www.ihi.org. Acessado em:19 setembro 2022. 
  2. Khan LM, SE, Alkreathy HM, et al. Detection of adverse drug reactions by medication antidote signals and comparison of their sensitivity with common methods of ADR detection. Saudi Pharm J. 2015; 23(5): 515-522. DOI: 10.1016/j. jsps.2014.10.003  
  3. Naranjo CA, Busto U, Seliers EM, et al. A method for estimating the probability of adverse drug reactions. Clin Pharmacol & Therapeutics. 1981; 30(2): 239-45. DOI: 10.1038/ clpt.1981.154 
  4. CFF. CP Monitorização Terapêutica de Medicamentos. Programa de Suporte ao Cuidado Farmacêutico na Atenção à Saúde, 2020. 
  5. Ferreira et al. Alterações hematológicas induzidas por medicamentos convencionais e alternativos. Rev. Bras. Farm. 94 (2): 94-101, 2013